Passaram mil anos...

Passaram mil anos. Dez vezes dez mil anos, e ela continuou, imperturbável.

Já ninguém procura. Fica, esquecida, dentro de cada um.


Encontro-me, dentro de mim mesmo.


E lá fora, no céu, as estrelas, vão vendo humanidades passar.

São as únicas que permanecem no desgaste dos dias. Dos meus dias...


Nos delas, passam a correr. Também não são eternas. Neste mundo tudo tem um fim.

Para quê iludirmo-nos? Para quê fugirmos, melhor, fingirmos: “- Está tudo bem!”


Quando olho para mim e vejo dias em vão, em que nada fui nem fiz, entristeço-me...

Mas que posso construir...? Tudo passa... Tudo se esvai, fugindo-nos pelas mãos sem que o possamos evitar.


Vou mantendo o sorriso de quem compreende que não há sentido. Não é por maldade, mas já não acredito. Sei que se há sentido, é outro, este não pode ser.


E aqui estou eu no mundo. Criando desarmonia, não me deixando levar num sonho que não é meu. Há por aí crianças e beijos enternecedores e abraços sentidos.


Há-de haver por aí saída para quem não se quer perder, já a vi algures, em mim.


E ela, ela, imperturbável, permanece à espera de um impulso meu.

Espera…

Que eu me deixe ir. Que eu procure enfim, dentro de mim.

...

4 comentários:

Adriana ♣* disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriana ♣* disse...

Com certeza existe saída!

Com certeza existe sentido...

Por favor!

Foi apenas um desânimo passageiro, certo?

... A mudança da luz ao girar de uma estrela diferente...

Ricardo Antunes disse...

O ânimo e o desânimo, a alegria e a tristeza, o sol e a lua, são primos um do outro. Concerteza não podem existir um sem o outro.
Ou talvez possam...
A prova de que existe o belo não é o feio... mas apesar de tudo, é pelo belo que o feio existe.

Adriana ♣* disse...

Concordo.
Não vivo em constante estado de euforia, também tenho meus dias ruins, mas prefiro (sempre que posso e consigo) optar pela alegria.
Assim como tenho a certeza que você também faz o mesmo.