O Velho que Nunca Amou

Conta-se que um elevado e santo mestre falava a uma grande e atenta plateia. Todos os presentes, velhos ou jovens, estavam fascinados com suas palavras.

No auge deste encanto, quando o seu discurso a todos deslumbrava, entrou um fumador de ópio, e com a fala algo arrastada disse:

- Mestre, perdi o meu burro. Ajuda-me a encontrá-lo.

- Tem um pouco de paciência meu filho, eu vou achá-lo – respondeu-lhe o mestre enquanto continuava a falar para a plateia.

Após algum tempo, enquanto discursava, perguntou aos presentes:

- Existe alguém aqui entre nós que nunca amou?

Depois de um ligeiro silêncio houve um velho que se levantou e disse:

- Eu nunca amei ninguém, desde a minha mais remota juventude. Nunca o fogo da paixão consumiu minha alma. Para que a minha mente não se confundisse, nunca deixei o amor ocupar meu coração.

Então, o venerado mestre voltou-se para o fumador de ópio que pouco antes o havia interrompido e disse-lhe:

- Aqui tens, meu filho, vê, acabo de achar o teu burro! Pega nele e leva-o daqui.

Autor desconhecido, provavelmente de origem sufi

2 comentários:

Denise Bomfim disse...

Salam!Que sua poesia interna seja eterna!
Parabéns por embelezar o mundo com positividade!
Quando puder, voe, e visite-me em:
http://denisebomfim.blogspot.com

Adriana ♣* disse...

O medo faz dessas coisas...

Por isso que penso mais ou menos assim:

"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (...). Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia (...). Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar".

Caio F. Abreu

Mais ou menos porque: não desisto fácil e não penso que a viagem possa durar apenas alguns minutos...