Três histórias sufis de Mullá Nasrudin

Transporte de barco


Mullá Nasrudin transportava pessoas entre duas margens de um rio muito largo. Um dia, um homem letrado contratou-o para transportá-lo no seu barco.

A dada ocasião, Nasrudin disse algo que contrariava as regras gramaticais.

- Você nunca estudou gramática? - perguntou o estudioso.

- Não, nunca - respondeu Nasrudin.

- Nesse caso, metade de sua vida se perdeu - retrucou outro.

O Mullá não disse nada.

Tempo depois desabou uma terrível tempestade. O barco começou a encher de água. Nasrudin ficou em silêncio durante algum tempo até que finalmente perguntou:

- Você nunca aprendeu a nadar?

- Não, nunca – respondeu o homem letrado.

-Nesse caso - disse Nasrudin - toda a sua vida se perdeu. Estamos a afundar-nos.

***

Contrabando


Volta e meia, Nasrudin atravessava a fronteira entre a Pérsia e a Grécia montado no lombo de um burro. De todas as vezes passava com dois cestos cheios de palha e voltava sem eles, arrastando-se a pé. Os guardas desconfiaram sempre dele, mas, a cada vez, procuravam por contrabando sem nunca encontrar nada.

Anos mais tarde, com uma aparência cada vez mais próspera, Nasrudin mudou-se para o Egipto. Lá encontrou um daqueles guardas de fronteira que entretanto se tinha reformado.

- Diga-me, Mullá, agora que eu estou reformado e você fora da jurisdição grega e persa, instalado no Egipto, o que é que você contrabandeava que nunca o conseguimos apanhar?

- Claro que sim. Era óbvio: burros.


***

Doente, Graças a Deus

Nasrudin, sentado na sala de espera do consultório médico, repetia em voz alta: "Espero que eu esteja muito doente", o que deixava intrigados os outros pacientes.

Quando o médico apareceu, Nasrudin repetia quase gritando:

"Espero que eu esteja muito doente".

"Por que você diz isso?", perguntou o médico.

"Detestaria pensar que alguém que se sinta tão mal como eu não tenha nada!".

Comentários para quê?

As histórias de Mullá Nasrudin, atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi.