Wu Wei

Em várias reflexões anteriores, disse muitas vezes que deveríamos deixar de estar parados e agir. Que nos perdiamos muitas vezes em meditações prolongadas e o que acontecia no final era que não tínhamos feito nada.
E continuo a pensar dessa forma.

Mas como nada é estanque e tudo pode ter várias leituras, consoante a nossa mente e a nossa predisposição para aceitar e compreender as coisas de uma determinada maneira, existe uma outra forma, paralela, de ver este assunto.

A "revelação" que tive por estes dias foi de que o problema não é agirmos pouco. É agirmos mal.
Andamos sempre a correr... física, mental e emocionalmente.
Fazemos muita coisa. Demasiadas coisas.
E o grande problema é que o fazemos em "piloto-automático", quase sem pensar. Sem nos perguntarmos se realmente é aquilo que queremos fazer naquele dia ou instante e se realmente estamos a ser felizes.
Vivemos depressa. Morremos sem querer.

Na China antiga desenvolveu-se um conceito denominado "wu wei", que se pode traduzir livremente por: "não agir".
Este "não agir" está muito distante da ideia de não fazer nada, de ficar à espera que tudo aconteça. Trata-se mais de "não impedir" que a Vida se manifeste a cada momento.
Nesse sentido, a ideia base será "não agir" segundo os nossos desejos mais básicos e sim segundo a força do Amor Universal que está contida nos nossos corações.

Não é fácil aceitar isto. Não é fácil aceitar que a nossa forma de viver por vezes não está a ser a mais correcta. Que deveríamos mudar e parar de fazer as coisas da forma errada que fazemos hoje. Recordo uma frase: "a primeira regra quando se está num buraco é parar de cavar".

Da forma como vejo as coisas, esta mudança deve ser feita de forma gradual. Deve ser conquistada, pouco a pouco, dia após dia, vitória atrás de vitória, aprendendo e ultrapassando constantemente as derrotas.
De nada serve uma acção radical inicial que não é seguida por acções seguintes em consonância.

Podemos ser livres. Integralmente.

Porém, apenas podemos decidir o que nós vamos fazer. Os outros são livres de agir da maneira que desejarem. É em sermos felizes com o nosso dia-a-dia, com o nosso emprego, com a nossa casa, com as nossas relações, que se encontra a chave da felicidade.

Devemos pensar melhor. Sentir melhor. Agir melhor. Viver melhor.
De nada serve fazer só por fazer. Viver por viver. Ter um turbilhão de emoções inconsequentes ou pensar, pensar, pensar e pensar e nunca decidir nada.

A resposta está em nós. Se pararmos. Se não agirmos. Se praticarmos o "wu wei".

Se vivermos as nossas vidas... caminhando... pelos nossos próprios pés!


P.S. Experimentem a experiência completamente avassaladora de parar 20 minutos por dia durante duas semanas, sentados em silêncio, sem fazer absolutamente nada. Sem ver televisão, sem falar com ninguém, sem correr com o pensamento por milhares de coisas... (Custa mais do que parece...)

1 comentário:

Adriana ♣* disse...

Excelente!

... Amar melhor...

Custa mais do que parece, mas já são 20 minutos que podemos considerar como uma dádiva!

Afinal de contas, depois do mergulho, o próximo passo é encontrar o tesouro...

Qual?

Um grão de areia que seja...

E ele já fez uma grande diferença no seu caminho interior...