Uma única vida

A partir de uma certa altura da nossa vida começamos a pensar naquilo que iremos realizar durante a nossa curta existência neste mundo. No que queremos ser e no que vamos fazer da nossa vida.
Ano após ano, vamos descobrindo os amores, os amigos, as vocações. Vamos construindo uma personalidade baseada em valores que definitivamente assumimos como sendo os nossos.
Às vezes acontece que decidimos assentar, casar, trabalhar, ter filhos, e começamos a viver de uma forma semi-automática, como se tudo acabasse por se desenrolar naturalmente a partir desse instante.
Habituamo-nos e cingimo-nos ao que temos e aceitamos como “mal menor” esse estado.
(Não que pelo facto de constituirmos família ou contribuirmos para o desenvolvimento seja pressuposto óbvio para nos afastarmos daquilo que realmente somos, é apenas um exemplo).

Estamos sempre à procura de algo novo, de original, mas queremos alcançá-lo, sem arriscar muito. Sem nos comprometermos. Sem deixar de fazer aquilo que fazemos. Sem deixar cair os hábitos que adquirimos.

E vamos caminhando para um beco sem saída. E vamos cavando cada vez mais o buraco em que estamos. E um dia perguntamos: Quando é que isto me aconteceu? Em que momento me deixei ir? Como é que me deixei enganar?

Temos uma vida para viver, amigos, uma única vida.

Chegou a altura de abandonarmos essa ilusão que nos impingiram, de que não há segundas oportunidades.

É hora de decidirmos novamente percorrer o caminho que nos inspira. Paulatinamente, passo após passo, retomando os sonhos que sempre tivemos e que algures deixámos para trás.

Quem inventou as regras?

Quem decidiu viver segundo essas regras?

Somos nós quem sabe o que sentimos. Mais ninguém.
A escolha do que vamos fazer com isso, cabe-nos a nós.

Estamos sempre à espera do lugar oportuno, da altura ideal, do momento perfeito, E, lamentavelmente, deixamos passar tantas vezes instantes, oportunos, ideais e perfeitos, porque nem sequer nos apercebemos que o eram.

É sempre possível ser feliz. Somos nós quem faz a escolha.

Temos uma vida para viver.

Uma única vida.

5 comentários:

Johanne disse...

Já à imenso tempo que não leio um livro pode ser que seja o teu...
Ainda guardo uma mensagem de um acampamento que foste tu que escreveste que eu acho fantástica com uma escrita muito semelhante ao que está aqui para baixo algures!
Beijinho

Joana F.

Ricardo Antunes disse...

Ainda não leste? :) Depois de todas as conversas e momentos que passámos por esse país fora, tenho a certeza que irás gostar. E concerteza que te irá fazer recordar momentos passados a subir a um pico sob um sol radiante ou a conversar à noitinha à volta da fogueira. Ou a escrever poesia...
Beijinho Joana

Adriana ♣* disse...

Sabe o que mais gosto na internet?
De procurar por tesouros e encontrá-los!
Como tudo na vida, são raros, não são fáceis de achar, mas vale qualquer escalada...
Hoje acabo de encontrar o seu tesouro e.... como acabo de descobri-lo: passa a ser um pouquinho meu também... ;)
O seu livro não está à venda no Brasil? :(
Seja feliz!
Adriana

Ricardo Antunes disse...

55 comentários depois cheguei ao último comentário... que por acaso acho que até foi o primeiro... :)
Mais uma vez obrigado pelos comentários e já agora tens de aproveitar para me contar como chegaste até ao meu blog?

beijos!!!

Adriana ♣* disse...

Só 55? Ainda é pouco!
O mundo da internet é assim...
Vamos passeando e de repente... ops!
Esbarramos numa barreira de corais...
Foi assim que eu te achei...

:D

Beijoooos!!!