Para a flauta dos pastores da serra cujo chamamento sempre seguirei...

Este foi um dos meus primeiros poemas escrito em 1996...

Recordo-o agora com simpatia e um sorriso. Segue, como um presente.

Está a chover, está frio e sopra um vento muito forte,
A serra está coberta por um intenso e estranho nevoeiro,
Se fechar os olhos posso ouvir a voz de Deus,
E o canto dos pastores que aqui no alto da serra,
Me contam as histórias que os animais lhes segredam.
E então eu uno o sopro da minha flauta ao seu grito,
E o meu coração marca o compasso deste hino à natureza.
...Um coruja voa e o seu piar perde-se na noite,
E sinto o sangue nas minhas veias a correr sem destino
E sonho o regresso à casa de onde um dia parti.
Detenho-me por um momento..., e só oiço o vento.
Então uma voz diz-me para continuar a tocar, e eu sei que,
Se acreditar e sonhar, consigo voar até ao seu coração...
Nunca há tempo para aquilo que se ama...
E entretanto a senhora da serra e do Sol pinta...
E os seus quadros mostram-me o caminho,
Que mesmo que mal interpretados por mim, não importa,
Quem pinta, sente por si, quem olha vê com os olhos que tem,
E embora esses olhos por vezes vejam de forma diferente,
O que importa é que o pincel não pare de tingir a tela,
E que os olhos não impeçam o coração de sentir,
Pois, e embora muitos se esqueçam disso ao longo da vida,
Aquilo que realmente importa é invisivel para os olhos.
Por isso senhora da serra não pares de pintar e escrever,
Pois até nós próprios nos enganamos acerca de nós mesmos,
E não é por isso que vamos deixar de sorrir e amar.
Entretanto o vento parou de soprar, e tudo o resto cessou...
Então os meus dedos palmilham os orificios da flauta,
E a imprevisivel melodia, ecoa pelos montes fora,
E sigo sem destino pelo universo das sombras,
E sei que nunca vou parar de tocar, para ti.
E o grito da flauta perde-se no espaço e no tempo,
E todos os caminhos vão dar ao mesmo lugar,
...Ao fundo do teu coração.


Para a flauta dos pastores da serra
cujo chamamento sempre seguirei...

1 comentário:

Adriana ♣* disse...

Aquilo que realmente importa é invisivel para os olhos....

Obrigada pelo presente!

Adriana