Havia na China uma mulher idosa...

Havia na China uma mulher idosa que sustentara um monge durante cerca de vinte anos. Ela construíra-lhe uma cabana e alimentara-o enquanto ele meditava.
Um dia, decidiu descobrir que progressos fizera ele durante todo esse tempo.
Pediu auxílio a uma jovem muito sedutora e disse-lhe: " Vai e abraça-o, e depois pergunta-lhe subitamente: "e agora?"
A rapariga foi até junto do monge e começou imediatamente a acariciá-lo e a perguntar-lhe o que é que ele queria fazer.
"Uma velha árvore cresce numa rocha no Inverno", disse-lhe o monge algo poeticamente, "não existe aí qualquer calor".
A jovem voltou e relatou à mulher o que o monge dissera.
"E pensar que eu alimentei aquele homem durante vinte anos!" - exclamou a velha mulher em fúria. - "Ele não mostrou qualquer consideração pela tua necessidade, nenhuma disposição para explicar a tua condição. Ele não precisava de ter respondido à paixão, mas ao menos deveria ter sentido alguma compaixão."
A mulher idosa dirigiu-se imediatamente à cabana do monge e pegou-lhe fogo.

(...)
Ás vezes estas pequenas histórias, de tão simples, trazem-nos ensinamentos muito importantes para a nossa vida e para a nossa aprendizagem.
No caso, nunca esquecer de que os outros existem e têm as suas necessidades. Às vezes estamos tão preocupados com o nosso próprio caminho que nos esquecemos de quem está por perto.
Devemos irradiar calor à nossa volta e não gelo.
Não é a questão de ceder aos nossos instintos mais básicos e deixarmo-nos corromper por um estado febril de paixão, pelo contrário, esse estado deve ser afastado pois não nos deixa ver com claridade, porém existe um estado caloroso de amor que conforta.
É esse calor que devemos partilhar.
Trabalhemos conscientemente sobre nós próprios mas não nos esqueçamos dos outros. As suas necessidades são as necessidades da vida a manifestar-se.
Se a vida encheu o nosso coração de compreensão, partilhemo-la, mas partilhemo-la de verdade, com todos, amigos ou desconhecidos, que se cruzam connosco nas mais diferentes circunstâncias.
De nada serve mistificarmos um estado de elevação que se revela infrutífero assim que nos deparamos com situações reais na vida.

1 comentário:

Adriana ♣* disse...

PERFEITO!!!
Não olhar para o umbigo...
Enxergar ao redor...

Abs,

Adriana