Cantares dum Sertanejo

Embalaram-te nos costumes, mobilaram-te com as suas pregações.
Encharcaram-te de convenções até à medula;
Expuseram-te numa redoma, para lhes valorizar o ensino,
Mas não ouves a selva que te chama?
Vamos sondar os lugares do silêncio, procuremos a sorte que vier,
Viajemos para uma terra solitária que conheço;
O vento nocturno está a segredar-nos, fulgura uma estrela que nos guia,
E a selva chama, chama por nós... Vamos.

Já sofreste, tiveste fome e triunfaste, andaste de rojo e contudo tentaste aferrar a glória,
Tornando-te grande na grandeza do conjunto?
«Fizeste coisas» só por fazê-las, deixando que os palavrosos contassem a história a seu modo,
Vendo a alma nua através do fino verniz?
Já viste Deus em Seus esplendores, ouviste o texto que a Natureza repete?
(Nunca o ouvirás no banco familiar da igreja)
As coisas simples, as coisas verdadeiras, os homens calados que fazem as coisas?
Ouve então a selva que te chama.

«Cantares dum Sertanejo do Alasca» de Robert W. Service

2 comentários:

ângela disse...

olá
já tinha visto o teu blog, mas nunca me apetece escrever nada. hoje escrevo, só para dizer que gosto muito de o ler.

Ricardo Antunes disse...

E eu muito que tu o leias.
beijinho