A história da nossa vida

Há uma altura na nossa Vida em que nós temos a perfeita consciência daquilo que somos, de quais são os objectivos que traçámos para esta Vida e de como os realizar. Nesse momento somos plenos.
Mas, todos, um milésimo de segundo depois de nascermos, perdemos esse nível elevado de consciência e somos invadidos por uma profunda tristeza, que se manterá activa - se não o mudarmos - por toda a nossa Vida.
O choro do recém-nascido é a prova de que se encontra já nesse mundo de tristeza. Se ele não chora, o choro é provocado pela parteira de modo a que o bebé entre em contacto com essa realidade. Está dado o primeiro passo para perdermos a nossa essência original.
A família que escolhemos para dar os primeiros passos, cuida de nós e vai-nos dando tudo aquilo que tem. Com momentos de Amor Verdadeiro são alternados outros momentos de "amor medo", um sentimento que arrasta o ciúme e que se torna dependente daquela fonte de vida pura que somos nós enquanto crianças. Os dois opostos vão-se expressando e começa uma batalha pela sobrevivência de um dos dois.
Assim, no nosso tempo de criança, que é a altura em que deveríamos ser conduzidos pelo nosso Caminho Interior, vamos sendo massacrados, sem que o possamos evitar, por todas as consequências externas (e depois, internas) que nos invadem o ser. Tudo isso nos leva a esconder cada vez mais os nossos tesouros, dos outros, e de nós próprios. A tristeza cresce e com ela, cresce dentro de nós o "amor medo". Começamos a entrar na dialéctica e somos, umas vezes muito bonzinhos, outras, odiáveis. Vamos, como os outros, deixando-nos levar pelos acontecimentos e acreditamos naquilo que nos dizem, apesar disso não conseguir convencer o mais íntimo de nós próprios. É a história do Cisne a quem todos disseram que era pato e que foi educado para o ser. Vive como um pato, mas o seu coração de Cisne continua a bater.
Um dia, em certo momento da nossa vida, olhamos para o espelho e vemos que não conhecemos a pessoa que ele reflecte. - Quem é este? - perguntamos.
Na nossa vida, surge então, em forma de pergunta, a resposta: Quem decide a tua história pessoal?
- O Amor, se o quiseres. A tristeza, se a deixares. - grita forte o Coração.
Quando ouvimos o grito (e é impossível não o ouvir pelo menos uma vez) decidimos se o queremos seguir ou se o vamos ignorar. Se o ignoramos, passamos a fazer aquilo que quisermos e a viver como entendermos por bem. Se o ouvirmos, percebemos a nossa missão e vemos os passos a dar para a cumprir. Aceitamos e entregamo-nos à Força da Vida.
Um dia o Cisne pode deixar de ser pato e tornar-se aquilo que é realmente, se nós compreendermos a verdade que continua no nosso coração.

in Onde Está o Branco em Ti?

3 comentários:

Aliane disse...

Lindo este texto...
Nunca tive a oportunidade de ler teu livro, mas este pouco aqui dá vontade de le-lo todo...
Parabéns...

Ricardo Antunes disse...

Devias ler... palavra de escritor. :)

Adriana ♣* disse...

"Quantos vivem toda a vida sem descobrir o que sabem e amam? Tantos. Não ser um desses é essa a tua missão." Richard Bach

Abs,

Adriana