Onde está o Branco em Ti?
"O caminho que escolhemos depende apenas de nós..."
Ao Domingo com... Ricardo Antunes
Opinião no blog: Pedacinho Literário
in http://pedacinho-literario.blogspot.com/2011/06/onde-esta-o-branco-em-ti-ricardo.html
À conversa com os alunos da Escola EB2/3 João Villaret do Infantado – Loures
Opinião sobre o "Onde está o Branco em Ti" no site: "Esmiuça o Livro"...
Sessão de autógrafos dia 7 de Maio... na feira do livro de Lisboa.
Todas as histórias são a nossa e a nossa são todas as histórias
Recordando...
Nova Capa - 21 de Março nas Livrarias
Conselhos... e... perspectivas...
Mudança
Adoro esta "tira" de "Calvin & Hobbes"
Quis publicar aqui esta tira de Calvin & Hobbes (a última feita pelo autor, encerrando um ciclo de 10 anos de publicação de uma das mais conhecidas BD's de sempre) porque me vem sempre há memória no primeiro dia do ano. É também uma pequena homenagem a esses personagens que me fizeram rir e reflectir tantas vezes. Com esta ultima tira, Bill Watterson encerra um ciclo e abre as portas para a imensidão de possibilidades que se perfilam sempre que iniciamos algo novo.
O poder para agir nem sempre é fácil de ser conseguido, mas... quando se quer mesmo...
Um ano novo cheio de felicidade para todos!
O que cada um de nós deve ler...
Há um lugar onde as pessoas se encontram para além das palavras.
Há tesouros que temos dentro e que ninguém nos pode roubar.
Recomecemos.
Vamos...
Dá-me o teu sorriso, razão de aprender
Tudo aquilo que tenho para te dar, mais e mais...
Porque aqui não é o meu lugar
Aqui é só o sítio onde eu vou procurar até morrer
Aquele lugar, que sabes bem, também é teu,
Por isso vem...vem também.
Já não há mais tempo a perder a divagar,
Vamos ao que interessa, o cerne da tua busca
O porquê desta questão, está na tua mão.
Por isso eu vou...vem tu também.
Vamos todos juntos nos encontrar
Num lugar, onde a única razão de viver é amar
Por isso vem...vem tu também.
Não te deixes ficar parado, vem ao meu lado
Descobrir, percorrer, a estrada que nos leva
Dentro de nós.
A ler o "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa...
Estava para aqui a pensar....
O mundo é uma ponte
Disseram-lhe uma vez: « Profeta de Deus, podias mandar-nos construir uma casa onde adorássemos a Deus.»
Uma antiga lenda Hindu conta o seguinte:
“Houve um tempo em que os homens eram deuses. Mas abusaram tanto desse seu estado, que Brahma, o mestre dos deuses, tomou a decisão de lhes retirar a divindade;
Resolveu escondê-la num lugar onde fosse absolutamente impossível encontrá-lo. Mas o grande problema era encontrar um esconderijo.
Brahma convocou então um conselho dos deuses menores para resolver o problema: “Enterremos a divindade do homem na terra”, foi a primeira ideia dos deuses.
“Não, isto não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la”, respondeu Brahma. “Então deitemos a divindade ao fundo dos oceanos”.
Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem um dia iria explorar as profundezas dos mares e acabaria por recuperá-la.
Então, concluíram os deuses menores: “Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar onde o homem não possa alcançar um dia”.
Então Brahma pronunciou: “Eis o que vamos fazer com a divindade humana: vamos escondê-la no mais profundo dele mesmo, pois é o único lugar onde ele jamais pensará em procurar”.
Desde este tempo, conclui a lenda, o homem já deu voltas a toda a Terra, explora, escala, mergulha e cava, em todos os sítios e em todos os lugares, em busca de algo que se encontra, desde o principio, no interior dele mesmo”.
Discurso do Chefe Seatle
O que é a vida?
É o brilho dum pirilampo na noite.
É o sopro dum bisonte no Inverno.
É a pequena sombra que percorre a erva e se perde ao pôr do sol.
(Palavras proferidas, antes de morrer, por Crowfoot, caçador, guerreiro e orador)

(…) Como podeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? A ideia não tem sentido para nós. Se não somos donos da frescura do ar ou o brilho das águas, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, cada grão de areia nas praias, a neblina nos bosques sombrios, cada monte e até o zumbido do insecto, tudo é sagrado na memória e no passado do meu povo.
A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem a terra onde nasceram, quando empreendem as suas viagens entre as estrelas; ao contrário os nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os veados, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o grande chefe em Washington envia a mensagem manifestando o desejo de comprar as nossas terras, está a pedir demasiado de nós.
(…)
Os rios são nossos irmãos, e saciam a nossa sede. Levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos a terra, deveis lembrar e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e também o são deles, e deveis a partir de então dispensar aos rios o mesmo tratamento e afecto que dispensais a um irmão. Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois de vencida e conquistada, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que se compram, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. O seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. E isso, eu não compreendo.
O nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer os olhos do homem vermelho.
Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreende...Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o desabrochar das folhas na primavera, o zunir das asas de um insecto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.
O vosso ruído insulta os nossos ouvidos. Que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs nas margens dos charcos e ribeiros ao cair da noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia e aromatizada pelo perfume dos pinhais. O ar é inestimável para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira.
(…)
O vento que deu aos nossos avós o primeiro sopro de vida é o mesmo que lhes recebe o último suspiro.
Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir saborear a brisa aromatizada pelas flores dos bosques. Por tudo isto consideraremos a vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, eu porei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. Tenho visto milhares de bisontes apodrecendo nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco de um comboio
Quando o homem cospe sobre a terra, cospe sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos a certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra. O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Por fim talvez, e apesar de tudo, sejamos irmãos. Uma coisa sabemos, e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus.
Hoje pensais que Ele é só vosso, tal como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Também os brancos acabarão um dia, talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai os vossos rios e uma noite morrerão afogados nos vossos resíduos. Contudo, caminhareis para a vossa destruição, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum desígnio especial vos deu o domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último bisonte for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu.
Termina a vida, começa a sobrevivência.
(Discurso do chefe Seatle, em resposta à oferta de compra das terras indígenas pelo presidente dos EUA, Franklin Pearce em 1854. Os Índios Duwamish habitavam na zona norte do actual estado de Washington, cuja capital, Seattle, tem o nome do Chefe Índio que proferiu o discurso).
Passaram mil anos...
Passaram mil anos. Dez vezes dez mil anos, e ela continuou, imperturbável.
Já ninguém procura. Fica, esquecida, dentro de cada um.
Encontro-me, dentro de mim mesmo.
E lá fora, no céu, as estrelas, vão vendo humanidades passar.
São as únicas que permanecem no desgaste dos dias. Dos meus dias...
Nos delas, passam a correr. Também não são eternas. Neste mundo tudo tem um fim.
Para quê iludirmo-nos? Para quê fugirmos, melhor, fingirmos: “- Está tudo bem!”
Quando olho para mim e vejo dias em vão, em que nada fui nem fiz, entristeço-me...
Mas que posso construir...? Tudo passa... Tudo se esvai, fugindo-nos pelas mãos sem que o possamos evitar.
Vou mantendo o sorriso de quem compreende que não há sentido. Não é por maldade, mas já não acredito. Sei que se há sentido, é outro, este não pode ser.
E aqui estou eu no mundo. Criando desarmonia, não me deixando levar num sonho que não é meu. Há por aí crianças e beijos enternecedores e abraços sentidos.
Há-de haver por aí saída para quem não se quer perder, já a vi algures, em mim.
E ela, ela, imperturbável, permanece à espera de um impulso meu.
Espera…
Que eu me deixe ir. Que eu procure enfim, dentro de mim.
...
Abrirei o coração
Abrirei o coração.
Expressarei o Amor, sempre que conseguir.
A vida é um campo maravilhoso de descobertas...
Não farei planos.
Apenas e só os estritamente necessários.
Procurarei estar inteiro no presente.
Deixarei de pensar "e se...?","e se...?"
Farei o que tiver de fazer, mas, a cada dia.
Não vale a pena estar a fazer planos,
Pois já percebi que cada dia eles se modificam
E corro o risco de me ver preso
Numa prisão que eu próprio construi
Com os meus desejos e pensamentos.
Olho para dentro...
Estou cheio de Amor.
Pelo Ser infinito que gera todas as coisas.
Por ti...
Pelos acontecimentos da minha vida.
Não abandonarei nada, não me amarrarei a nada.
As coisas são como são. A vida flui e eu com ela.
Tudo tem o seu tempo,
Hoje, é o tempo de ser este dia.
Amanhã será o tempo de ser o dia de amanhã.
E tal como não podemos viver o Amanhã, hoje,
Também não podemos viver o Hoje, amanhã.
Só nos resta "ser"…
Existir a cada instante...
As palavras verdadeiras não são bonitas
As palavras verdadeiras não são bonitas.
As palavras bonitas não são verdadeiras.
Quem aceita a sua fraqueza
Consegue vencer o mais forte.
A água é calma e serena
Mas desgasta a pedra dura.
O campo, de quem cultiva a sua própria pessoa, será verdadeiro.
O campo, de quem cultiva o seu próprio grupo, será pleno.
O campo, de quem cultiva os seus amigos, crescerá.
Julga os outros por ti mesmo.
Julga os grupos dos outros pelo teu próprio grupo.
Julga os amigos dos outros pelos teus amigos.
Só assim conhecerás a natureza do mundo.
Lao Tzé in Tao Te King
Descontrai um bocado...
Descontrai um bocado...
Chuta uma bola, segue-a com o olhar... A saltitar... A saltitar...
Passeia descalço na erva molhada, Brinca com as mãos na terra castanha.
Molha o cabelo, sobe uma árvore, salta lá de cima.
Vai à praia, rebola nas dunas e corre à beira-mar.
Não te chateies. Não percas tempo.
Veste o fato mas não apertes o colarinho. Nem sempre é necessário ser tão certinho.
Não vistas demasiada roupa, nunca está assim tanto frio…
Deixa o despenteio nos cabelos.
Brinca a jogos coloridos com crianças coloridas,
não escondas o teu sorriso.
Não deixes as janelas todo o dia fechadas.
Cozinha o que gostas e abusa nos temperos.
Cheira o sabor da comida nas ruas, vindo das casas por onde passas.
Sobe ao alto de um monte, abre os braços e grita sem medo a palavra mais feliz que tiveres dentro de ti…
E depois... deixa-te ficar em silêncio.
Respira… Respira...
Lembra-te,
A vida é curta,
Não banalizes, não tornes vulgar o presente.
Tens valor. És especial.
Não percas
o vento.
Agarra
o momento!
Nunca te feches sobre ti mesmo...
Nunca te feches sobre ti mesmo. Sai para a rua. Vive.
A vida merece que tu lhe dês a oportunidade de te tocar. É o mínimo que podes fazer pelo respeito que ela te merece.
Cada fatalidade é, no mesmo instante, um destino e uma oportunidade para tudo mudarmos.
A banda - Chico Buarque
Nunca é tarde para se conhecer uma composição fantástica. Em viagem recente ouvia dois amigos meus, um brasileiro e o outro português que viveu no Brasil, a falarem da MPB e de várias histórias relacionadas com o seu florescimento.
No meio da conversa, falaram com entusiasmo duma tal música muito antiga de Chico Buarque, falando dos versos e da beleza neles contida.
Achei tão bonitos certos versos que eles cantavam que, quando cheguei a casa fui procurá-la e descobri que a música se chamava: "A Banda" e que a letra era mais ou menos assim:
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor...
Aqui fica um link se quiserem ver um video: http://www.youtube.com/watch?v=wFPPawLq_5Q
O Velho que Nunca Amou
No auge deste encanto, quando o seu discurso a todos deslumbrava, entrou um fumador de ópio, e com a fala algo arrastada disse:
- Mestre, perdi o meu burro. Ajuda-me a encontrá-lo.
- Tem um pouco de paciência meu filho, eu vou achá-lo – respondeu-lhe o mestre enquanto continuava a falar para a plateia.
Após algum tempo, enquanto discursava, perguntou aos presentes:
- Existe alguém aqui entre nós que nunca amou?
Depois de um ligeiro silêncio houve um velho que se levantou e disse:
- Eu nunca amei ninguém, desde a minha mais remota juventude. Nunca o fogo da paixão consumiu minha alma. Para que a minha mente não se confundisse, nunca deixei o amor ocupar meu coração.
Então, o venerado mestre voltou-se para o fumador de ópio que pouco antes o havia interrompido e disse-lhe:
- Aqui tens, meu filho, vê, acabo de achar o teu burro! Pega nele e leva-o daqui.

Sobre o Silêncio
O Silêncio...
Nós, os Índios, não temos medo dele.
Na verdade, para nós, ele é mais poderoso do que as palavras. Nossos ancestrais foram educados com o silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento.
“Observa, escuta, e logo actua" – diziam-nos. - " Esta é a maneira correcta de viver:
Observa os animais para ver como cuidam dos seus filhos.
Observa os mais velhos para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que quer.
Observa sempre primeiro com o coração e a mente tranquilos e então aprenderás.
Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás actuar.”
Com vocês, homens brancos, é o contrário:
Vocês aprendem… a falar.
Dão prémios às crianças que falam mais na escola.
Em festas, todos falam ao mesmo tempo. Por vezes ninguém se entende.
No trabalho, estão sempre com reuniões, nas quais todos interrompem todos, todos repetem a mesma coisa cinco, dez, cem vezes. E chamam a isso "resolver um problema".
Quando estão numa casa e há silêncio, ficam nervosos. Precisam preencher o espaço com sons. Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir e nem sequer permitem que o outro termine uma frase. Interrompem-se constantemente.
Para nós, isso é muito desrespeitoso e estúpido. Se começares a falar, eu não vou interromper… Talvez deixe de escutar, se não gostar do que estás a dizer. Mas não te vou interromper. Quando terminares, tomarei a minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Terás dito o que preciso saber. Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.
Deveriam pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Os nossos ancestrais ensinaram-nos que a terra está sempre a falar, e que deveríamos ficar em silêncio para a escutar.
Existem muitas vozes para além das nossas. Muitas vozes.
E só vamos conseguir escutá-las em silêncio.
In "Neither Wolf or Dog" On Forgotten Roads with an "Indian Elder"; Kent Nerburn
Três histórias sufis de Mullá Nasrudin
Transporte de barco
Mullá Nasrudin transportava pessoas entre duas margens de um rio muito largo. Um dia, um homem letrado contratou-o para transportá-lo no seu barco.
A dada ocasião, Nasrudin disse algo que contrariava as regras gramaticais.
- Você nunca estudou gramática? - perguntou o estudioso.
- Não, nunca - respondeu Nasrudin.
- Nesse caso, metade de sua vida se perdeu - retrucou outro.
O Mullá não disse nada.
Tempo depois desabou uma terrível tempestade. O barco começou a encher de água. Nasrudin ficou em silêncio durante algum tempo até que finalmente perguntou:
- Você nunca aprendeu a nadar?
- Não, nunca – respondeu o homem letrado.
-Nesse caso - disse Nasrudin - toda a sua vida se perdeu. Estamos a afundar-nos.
***
Contrabando
Volta e meia, Nasrudin atravessava a fronteira entre a Pérsia e a Grécia montado no lombo de um burro. De todas as vezes passava com dois cestos cheios de palha e voltava sem eles, arrastando-se a pé. Os guardas desconfiaram sempre dele, mas, a cada vez, procuravam por contrabando sem nunca encontrar nada.
Anos mais tarde, com uma aparência cada vez mais próspera, Nasrudin mudou-se para o Egipto. Lá encontrou um daqueles guardas de fronteira que entretanto se tinha reformado.
- Diga-me, Mullá, agora que eu estou reformado e você fora da jurisdição grega e persa, instalado no Egipto, o que é que você contrabandeava que nunca o conseguimos apanhar?
- Claro que sim. Era óbvio: burros.
***
Doente, Graças a Deus
Nasrudin, sentado na sala de espera do consultório médico, repetia em voz alta: "Espero que eu esteja muito doente", o que deixava intrigados os outros pacientes.
Quando o médico apareceu, Nasrudin repetia quase gritando:
"Espero que eu esteja muito doente".
"Por que você diz isso?", perguntou o médico.
"Detestaria pensar que alguém que se sinta tão mal como eu não tenha nada!".
Comentários para quê?
As histórias de Mullá Nasrudin, atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi.











