Isto de ser pai é lindo e maravilhoso!

Mas também muito complicado e trabalhoso por isso não tenho escrito no blog... as minhas desculpas e um abraço para todos!

No mundo tudo se move por ciclos

Quantas vezes damos importância a coisas que algum tempo mais tarde já não têm importância nenhuma?

Não podemos decidir como está tudo à nossa volta, os amigos, a família, o país, a escola, o mundo... mas podemos decidir como nós vamos estar.

Aproveitem o dia!

É o que eu vou fazer!

:)

Ao Domingo com... Ricardo Antunes

À conversa no blog «O tempo entre os meus livros»:

Quem é o Ricardo Antunes?
Bem, sou o autor do livro Onde está o Branco em Ti?, publicado primeiramente pela Coolbooks e actualmente editado pela Quinta-Essência.

O livro fala das buscas e vivências que se fazem na juventude, na altura em que todos os amores são possíveis e em que muitas das grandes lutas são travadas, tendo sido bem recebido pelo público, encontrando-se já na 3ªedição.

Conquista pela simplicidade e autenticidade com que está escrito, quase na primeira pessoa, não aspirando a ser uma obra-prima da literatura, mas mais um relato sincero, uma história de vida, das vidas de um grupo de amigos que estão juntos na demanda de respostas para as perguntas mais sensíveis.

Quanto à minha pessoa, sou uma personagem muito curiosa, não no sentido de que seja alguém sobre quem o interesse se possa despertar, mas no sentido em que sou uma pessoa muito interessada por tudo e por todas as coisas.

Desde muito novo sempre quis perceber o porquê de todas as coisas, inclusivamente daquelas sobre as quais ninguém parecia estar interessado. Isso não me afligiu e continuei a procurar sempre até encontrar.

Bem-disposto por natureza, conversador, brincalhão, de fácil trato e conservador de amizades, alterno estados de alegria efusiva com outros de meditação intensa, facto que poderá ter origem nas raízes geminianas do meu nascimento, pelo menos é o que dizem. Aparte isso, sou, normalmente, uma pessoa equilibrada, tolerante e conciliadora.

Comecei a trabalhar muito cedo para ganhar alguns trocos e poder investir nos meus interesses e viagens. Cursei História Moderna e Contemporânea porque gostava e quando comecei a trabalhar rodeei-me de livros, não os largando mais.

Fiz um percurso profissional ligado a uma grande cadeia de livrarias portuguesa, encontrando-me, na altura da saída, a coordenar várias lojas de Lisboa. Actualmente trabalho no mercado editorial num projecto ainda recém-nascido mas que já dá sinais de crescimento bem interessantes.

Gosto de escrever por prazer e para partilhar as minhas histórias e ideias mas tenho sido um bocado preguiçoso (embora arranje sempre outras desculpas, como por exemplo o excesso de trabalho) e ainda não acabei de escrever o tão aguardado segundo romance. Não que haja assim tanta gente à espera mas pelo menos a minha mãe, a minha mulher e dois ou três amigos mais próximos têm essa vontade de querer ler o próximo. E um ou dois outros fãs fiéis, vá… :) (Sim, isto é um smiley num texto sério…)

Digo sempre que é para o ano que sai o livro novo e até pode ser que no próximo saia mesmo. Entretanto lanço aqui, em primeira mão, um excerto retirado de lá:
“… ter o coração sempre aberto. Aceitar aquilo que cada um pode dar sem quaisquer expectativas. Pondo de lado os desejos e vontades pessoais e aceitando as coisas tal como são. Tudo acontece na altura certa”…
Sei que não é grande coisa mas é só para dar um gostinho… :)

Podem ler tudo em:

Opinião no blog: Pedacinho Literário

Há muito que andava irrequieta e desejosa de ler este livro, sem saber bem o porquê. Vi a capa, li a sinopse e automaticamente deixei-me apaixonar por algo imaginário que fiz da narrativa desta obra, uma expectativa desajeitadamente alta que, inexplicavelmente, não só foi atingida como ultrapassada. Onde está o branco em ti? é um livro extremamente importante para todos aqueles que se sentem ou alguma vez já se sentiram desadequados no mundo, imperfeitos, colocados de parte, escravos da rotina. Trata-se de uma história real na sua essência, que transmite uma sensação de urgência na descoberta do nosso verdadeiro eu e do que realmente nos faz felizes, a nós, e só depois aos outros. Trata-se de um relato na primeira pessoa que comove, que adula, que faz o leitor viajar por todos os sentimentos, todos os devaneios internos e todas as inseguranças e medos que Alexandre, o protagonista, experiencia ao longo de uma juventude capaz de o destruir por dentro. Num estilo poético e inspirador, auxiliado por pequenos poemas espalhados ao longo da narrativa, aqui e ali, Ricardo Antunes apresenta uma primeira obra que se destaca das demais, que cativa logo no primeiro parágrafo e que agarra o leitor por retratar um assunto comum, visível, passível de acontecer a qualquer um.

Tudo começa com um suicídio.

Pedro decide pôr termo à sua vida. Deixa uma carta aos amigos a explicar, na sua poesia, o que o levou a tomar tal atitude e entrega um enigma de auto-descoberta a Alexandre, que o encaminhará ao longo de todo o livro. Pela perspectiva deste último, o leitor toma consciência dos sentimentos de cada um dos amigos de Pedro, um grupo que se juntou há muito e no qual partilharam todo o tipo de alegrias e tristezas, na revolta interna que cresce perante uma sociedade falsa e feita de casualidades, no eterno desengonçar por fazer as pessoas abrirem os olhos e na viagem que cada um terá de fazer, interna e externa, sozinho e acompanhado, para efectivamente chegar ao significado das últimas palavras de tão estimado amigo.

Onde está o branco em ti? é o relato do dia-a-dia de um grupo de jovens, por vezes somente de Alexandre, sobre o que de errado e de correcto atravessa aquele longo caminho a que se chama vida. Uma exposição sobre escolhas, sobre descobertas, sobre despedidas e sobre fins e novos começos. Uma história que envolve o leitor, que o deixa enigmaticamente desconcertado e receptivo a olhar para dentro de si mesmo à procura de algo diferente, de algo novo, quase como Alexandre.

Com uma linguagem cuidada e extraordinariamente emotiva, sentida, e um tipo de escrita suave, que flui, harmoniosa, Onde está o branco em ti? é um livro que mais tarde quererei ler novamente, pela forte mensagem que transmite e pelo constante acordar para a vida que transporta. Um livro que gostei pela sua simplicidade e pelo sentimento de não querer parar de ler, parar de devorar, que inevitavelmente deixa no leitor. Uma história comovente, recheada de alegrias, pequenas felicidades, muito amor e amizade, mas também de situações inevitáveis, desistências e renúncias à mudança. Uma obra apaixonante e provocadora, que instintivamente exerce um sentimento e uma necessidade de reflexão por parte do leitor.

Recomendo fortemente. Pela escrita bela e sensível, pelos caminhos percorridos, pelas sensações sentidas, pelas vidas vividas e pelo futuro que tudo pode trazer. Um livro que, sem sombra de dúvida, vale a pena ler.
 
in http://pedacinho-literario.blogspot.com/2011/06/onde-esta-o-branco-em-ti-ricardo.html

À conversa com os alunos da Escola EB2/3 João Villaret do Infantado – Loures

Como se escreve um livro? Quanto tempo demora? Quais as características que se deve reunir para escrever um livro? 
Foram estas algumas das perguntas  que me fizeram esta manhã, na conversa que mantive com os alunos da Escola EB2/3 João Villaret do Infantado – Loures.


A sessão decorreu na biblioteca da escola, numa iniciativa da livraria Folhas Escritas, no âmbito da feira do livro que está a organizar no local, em conjunto com a escola.

Quinta-feira estou de regresso para nova sessão com outras turmas e mais alunos.

Sessão de autográfos na Feira do Livro de Lisboa...

Opinião sobre o "Onde está o Branco em Ti" no site: "Esmiuça o Livro"...

A vida de um grupo de 6 amigos que andavam sempre juntos é abalada com súbita morte de um deles, vivem uma estranha situação para a qual não estavam preparados. Esta nova realidade leva-os a procurar respostas para encontrar o sentido para a morte do amigo assim como para a vida.
Na procura destas respostas vão viver momentos intensos cheios de alegria, tristeza e desilusão. Onde todos os momentos são de grande tensão, onde tudo é muito vivido com as emoções à flor da pele.
Ricardo Antunes mostra a realidade para a qual muitas das vezes não estamos sensibilizados ou não damos a devida importância, o suicídio na adolescência.
Como o ser humano se sente perdido sem objectivos, e que por mais que procure respostas por vezes não as encontras, por mais amigos que se tenha nos sentimos sempre sozinhos.
A escrita do autor é directa e carregada de muita emoção, que arrebata totalmente o leitor. Fala de sentimentos de perda com os quais nos identificamos. Quem perdeu alguém que ama vai se rever em muitas das passagens.
As personagens são intensas como todos os adolescentes. São jovens que pensam que podem conquistar tudo, mas que vão ter de amadurecer com a realidade, com a dor da perda.
Um livro cheio de emoções, cheio de palavras e frases cheias de sentido. Vai o deixar a pensar sobre a sua vida, como o exemplo que o autor escreve no início do livro:
"....Quando estamos atentos, apercebemo-nos do que ao longo na nossa vida vão-se-nos deparando constantemente vários caminhos pelos quais temos de nos decidir. Simultaneamente, enquanto escolhemos um, há outro que deixamos para trás - é inevitável. ..."
Um livro que vai ter de ler!
"Esmiuça o Livro"

Sessão de autógrafos dia 7 de Maio... na feira do livro de Lisboa.

Vou estar na feira do livro de Lisboa para uma sessão de autógrafos. O dia é o 7 de Maio, Sábado, pelas 17h. No pavilhão/stand da Leya.
Encontramo-nos lá!
  

Todas as histórias são a nossa e a nossa são todas as histórias

Às vezes, um momento - um só momento - altera toda a nossa vida, irreversivelmente, e para sempre.
Mas, e se depois nos fosse dada a oportunidade de recomeçar tudo de novo?
Se tivéssemos a sorte de perceber que a estrada que nos conduz à felicidade começa com um primeiro passo e que este só pode ser dado por nós mesmos.
Que tudo aquilo que não fazemos por medo é o fruto de pensarmos que temos alguma coisa a perder.
Que cada dia é um momento especial para ser celebrado e, cada gesto, um movimento irrepetível.
Que o Amor é a única coisa real nesta vida e que, tudo o resto, são ilusões.
Que o Amor está Vivo. Que o temos que procurar enquanto ainda vivemos. Enquanto ainda o podemos procurar.
Se, finalmente e por uma última vez, tivéssemos a hipótese de nos encontrarmos, frente a frente, com a vida que sempre desejámos ter?
(Texto na contracapa do livro Onde está o Branco em Ti?)

Recordando...

Andando pela vida vamos dando os passos que nos levam através do nosso destino. E um dos grandes segredos desse percurso é fazê-lo com alegria. Metade dos obstáculos, são resolvidos pelo simples facto de colocarmos um sorriso nos lábios. Andarmos tristes, sós e isolados de tudo e de todos nunca resolveu nenhum problema. Serve para pensarmos, para interiorizarmos soluções, mas por si só, não resolve nada.


E realmente nenhum cenário é assim tão negro que não possa ser relativizado.

Todos já sofremos de amores, sim. Já perdemos coisas que nos custaram muitos anos a alcançar. Deixámos oportunidades fantásticas para trás porque não conseguimos dar aquele passo corajoso que nos conduziria a elas. Sim, muitos também já viveram a morte de alguém muito próximo. E nada disso é muito fácil de viver e de aceitar. Mas o resultado é sempre o mesmo. No final, o que nos volta a pôr de pé, o que nos faz seguir em frente, é aquele sorriso que decidimos colocar nos lábios e a alegria secreta e silenciosa que deixámos despertar em nós. Porque, se não o fizermos, ninguém o fará por nós. Trata-se, agora e sempre, de uma opção muito pessoal. Ninguém pode viver a vida de ninguém.

Se abrirmos um sorriso, pararmos de nos queixar e fizermos o que é preciso, encontraremos o caminho certo.

Nova Capa - 21 de Março nas Livrarias

A partir de 21 de Março, o meu livro estará nas livrarias com a terceira capa.
Estejam à vontade e expressem os vossos comentários (mesmo os não  favoráveis... eh... eh... ).

Coloquei também no blog - no topo, do lado direito - as três capas que o livro já teve.

Conselhos... e... perspectivas...

Certo dia, Nasrudin pediu dinheiro a um homem rico:
- Para que quer o dinheiro? - perguntou-lhe.
- Para comprar um elefante. - Respondeu Nasrudin.
- Se você não tem dinheiro, nunca poderá sustentar um elefante. - Retrucou o homem rico.
- Eu pedi dinheiro, não pedi conselhos! - exclamou Nasrudin.
...

Mudança

Todas as consequências que geramos acabamos por as ir colher, de seguida.
Continuamos a manter velhos hábitos e "medos" antigos. De magoar, de ser magoados. De fazer algo errado porque "já no passado se fez assim" e "pode não resultar".
Concordo inteiramente com o ditado zen: "quem não trabalha não come".
O que é espiritual é responsabilidade do espírito, mas, o que é terreno e fruto do trabalho terreno, não cabe a Deus assegurar, mas sim ao Homem, que não se deve, de maneira nenhuma, negar a essa responsabilidade.
Para além disso, é importante, seguirmos o nosso próprio caminho!

Adoro esta "tira" de "Calvin & Hobbes"


Quis publicar aqui esta tira de Calvin & Hobbes (a última feita pelo autor, encerrando um ciclo de 10 anos de publicação de uma das mais conhecidas BD's de sempre) porque me vem sempre há memória no primeiro dia do ano. É também uma pequena homenagem a esses personagens que me fizeram rir e reflectir tantas vezes. Com esta ultima tira, Bill Watterson encerra um ciclo e abre as portas para a imensidão de possibilidades que se perfilam sempre que iniciamos algo novo.

Este ano será concerteza único, nos sonhos, nos anseios e nas realizações. Com milhares de caminhos por onde seguir e com todas as alternativas em aberto, resta-nos olhar o mundo de frente e aproveitar para definitivamente viver a vida de acordo com aquilo que interiormente mais desejamos.

O poder para agir nem sempre é fácil de ser conseguido, mas... quando se quer mesmo...

Um ano novo cheio de felicidade para todos!

O que cada um de nós deve ler...

Para uma relação viva do leitor com a literatura universal é sobretudo importante que ele se conheça a si próprio e, consequentemente, que conheça as obras que agem sobre ele num modo particular, evitando seguir um qualquer esquema ou programa cultural. A via que ele tem de percorrer é aquela do amor, não aquela do dever. O facto de nos obrigarmos a ler uma obra-prima só porque é celebérrima e nos envergonhamos de ainda não a conhecermos seria um grave erro. Cada um de nós deve começar a ler, conhecer e amar, aquilo que lhe suscita espontaneamente essa vontade.
Herman Hesse in Uma biblioteca da literatura universal, editora Cavalo de Ferro

Há um lugar onde as pessoas se encontram para além das palavras.

Há um lugar onde as pessoas se encontram para além das palavras.
Há tesouros que temos dentro e que ninguém nos pode roubar.

Recomecemos.

Vamos...

Mostra-me um poema que fale de amor
Dá-me o teu sorriso, razão de aprender
Tudo aquilo que tenho para te dar, mais e mais...
Porque aqui não é o meu lugar
Aqui é só o sítio onde eu vou procurar até morrer
Aquele lugar, que sabes bem, também é teu,
Por isso vem...vem também.
Já não há mais tempo a perder a divagar,
Vamos ao que interessa, o cerne da tua busca
O porquê desta questão, está na tua mão.
Por isso eu vou...vem tu também.
Vamos todos juntos nos encontrar
Num lugar, onde a única razão de viver é amar
Por isso vem...vem tu também.
Não te deixes ficar parado, vem ao meu lado
Descobrir, percorrer, a estrada que nos leva
Dentro de nós.

A ler o "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa...

(...) Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido — sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade.(...)
in "Livro do Desassossego", Fernando Pessoa

Estava para aqui a pensar....

Não há nada estático, tudo muda. Nada é branco nem preto. Tudo é relativo. Tudo depende das circunstâncias e da visão e consciência que cada um tem da realidade. Então porquê julgarmos?
Devemos libertar-nos das nossas velhas amarras. Não são reais. Há velocidade que o mundo anda, tudo o que até agora era válido está a deixar de ser. Estamos a descobrir um caminho que não volta mais atrás. Não há uma lei exterior para seguir senão a do nosso próprio coração.
Há pouco tempo ouvi o seguinte: Deixa de aconselhar os outros como devem viver a sua vida. Concentra-te em ti mesmo e na forma como vives tu a tua própria vida. Pensa no trabalho que tens de realizar contigo próprio e acredita que em ti mesmo existem defeitos suficientes (e quem sabe, infinitos...) com que trabalhar.
Sorri ao ouvir isto e, ao mesmo tempo, deixou-me a pensar...

O mundo é uma ponte

Disse o Mestre: «O mundo é uma ponte. Atravessa a ponte, mas não construas sobre ela.»
Disseram-lhe uma vez: « Profeta de Deus, podias mandar-nos construir uma casa onde adorássemos a Deus.»

Respondeu ele:«Ide e construí uma casa sobre a água.»

Eles perguntaram-lhe: «Como pode uma coisa sólida ser construída sobre a água?»

Ele respondeu: «Como pode uma devoção sólida unir-se ao amor pelo mundo?»

Al Ghazali

Uma antiga lenda Hindu conta o seguinte:

“Houve um tempo em que os homens eram deuses. Mas abusaram tanto desse seu estado, que Brahma, o mestre dos deuses, tomou a decisão de lhes retirar a divindade;


Resolveu escondê-la num lugar onde fosse absolutamente impossível encontrá-lo. Mas o grande problema era encontrar um esconderijo.


Brahma convocou então um conselho dos deuses menores para resolver o problema: “Enterremos a divindade do homem na terra”, foi a primeira ideia dos deuses.


“Não, isto não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la”, respondeu Brahma. “Então deitemos a divindade ao fundo dos oceanos”.


Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem um dia iria explorar as profundezas dos mares e acabaria por recuperá-la.


Então, concluíram os deuses menores: “Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar onde o homem não possa alcançar um dia”.


Então Brahma pronunciou: “Eis o que vamos fazer com a divindade humana: vamos escondê-la no mais profundo dele mesmo, pois é o único lugar onde ele jamais pensará em procurar”.


Desde este tempo, conclui a lenda, o homem já deu voltas a toda a Terra, explora, escala, mergulha e cava, em todos os sítios e em todos os lugares, em busca de algo que se encontra, desde o principio, no interior dele mesmo”.

Discurso do Chefe Seatle

O que é a vida?

É o brilho dum pirilampo na noite.

É o sopro dum bisonte no Inverno.

É a pequena sombra que percorre a erva e se perde ao pôr do sol.

(Palavras proferidas, antes de morrer, por Crowfoot, caçador, guerreiro e orador)



(…) Como podeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? A ideia não tem sentido para nós. Se não somos donos da frescura do ar ou o brilho das águas, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, cada grão de areia nas praias, a neblina nos bosques sombrios, cada monte e até o zumbido do insecto, tudo é sagrado na memória e no passado do meu povo.


A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem a terra onde nasceram, quando empreendem as suas viagens entre as estrelas; ao contrário os nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho.


Somos parte da terra e ela é parte de nós.


As flores perfumadas são nossas irmãs, os veados, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família.


Assim, quando o grande chefe em Washington envia a mensagem manifestando o desejo de comprar as nossas terras, está a pedir demasiado de nós.


(…)


Os rios são nossos irmãos, e saciam a nossa sede. Levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos a terra, deveis lembrar e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e também o são deles, e deveis a partir de então dispensar aos rios o mesmo tratamento e afecto que dispensais a um irmão. Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois de vencida e conquistada, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que se compram, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. O seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. E isso, eu não compreendo.


O nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer os olhos do homem vermelho.


Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreende...Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o desabrochar das folhas na primavera, o zunir das asas de um insecto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.


O vosso ruído insulta os nossos ouvidos. Que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs nas margens dos charcos e ribeiros ao cair da noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia e aromatizada pelo perfume dos pinhais. O ar é inestimável para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira.


(…)


O vento que deu aos nossos avós o primeiro sopro de vida é o mesmo que lhes recebe o último suspiro.


Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir saborear a brisa aromatizada pelas flores dos bosques. Por tudo isto consideraremos a vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, eu porei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.


Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. Tenho visto milhares de bisontes apodrecendo nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco de um comboio em andamento. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o bisonte, que nós caçamos apenas para sobreviver. Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morrerá de solidão espiritual. Porque o que suceder aos animais afectará os homens. Tudo está ligado. Deveis ensinar a vossos filhos que o solo que pisam é a cinza de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, ensina-lhes que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe.



Quando o homem cospe sobre a terra, cospe sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos a certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra. O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.


Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Por fim talvez, e apesar de tudo, sejamos irmãos. Uma coisa sabemos, e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus.


Hoje pensais que Ele é só vosso, tal como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.


Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Também os brancos acabarão um dia, talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai os vossos rios e uma noite morrerão afogados nos vossos resíduos. Contudo, caminhareis para a vossa destruição, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum desígnio especial vos deu o domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último bisonte for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu.


Termina a vida, começa a sobrevivência.


(Discurso do chefe Seatle, em resposta à oferta de compra das terras indígenas pelo presidente dos EUA, Franklin Pearce em 1854. Os Índios Duwamish habitavam na zona norte do actual estado de Washington, cuja capital, Seattle, tem o nome do Chefe Índio que proferiu o discurso).

Passaram mil anos...

Passaram mil anos. Dez vezes dez mil anos, e ela continuou, imperturbável.

Já ninguém procura. Fica, esquecida, dentro de cada um.


Encontro-me, dentro de mim mesmo.


E lá fora, no céu, as estrelas, vão vendo humanidades passar.

São as únicas que permanecem no desgaste dos dias. Dos meus dias...


Nos delas, passam a correr. Também não são eternas. Neste mundo tudo tem um fim.

Para quê iludirmo-nos? Para quê fugirmos, melhor, fingirmos: “- Está tudo bem!”


Quando olho para mim e vejo dias em vão, em que nada fui nem fiz, entristeço-me...

Mas que posso construir...? Tudo passa... Tudo se esvai, fugindo-nos pelas mãos sem que o possamos evitar.


Vou mantendo o sorriso de quem compreende que não há sentido. Não é por maldade, mas já não acredito. Sei que se há sentido, é outro, este não pode ser.


E aqui estou eu no mundo. Criando desarmonia, não me deixando levar num sonho que não é meu. Há por aí crianças e beijos enternecedores e abraços sentidos.


Há-de haver por aí saída para quem não se quer perder, já a vi algures, em mim.


E ela, ela, imperturbável, permanece à espera de um impulso meu.

Espera…

Que eu me deixe ir. Que eu procure enfim, dentro de mim.

...

Abrirei o coração

Abrirei o coração.

Expressarei o Amor, sempre que conseguir.

A vida é um campo maravilhoso de descobertas...

Não farei planos.

Apenas e só os estritamente necessários.

Procurarei estar inteiro no presente.

Deixarei de pensar "e se...?","e se...?"

Farei o que tiver de fazer, mas, a cada dia.

Não vale a pena estar a fazer planos,

Pois já percebi que cada dia eles se modificam

E corro o risco de me ver preso

Numa prisão que eu próprio construi

Com os meus desejos e pensamentos.

Olho para dentro...

Estou cheio de Amor.

Pelo Ser infinito que gera todas as coisas.

Por ti...

Pelos acontecimentos da minha vida.

Não abandonarei nada, não me amarrarei a nada.

As coisas são como são. A vida flui e eu com ela.

Tudo tem o seu tempo,

Hoje, é o tempo de ser este dia.

Amanhã será o tempo de ser o dia de amanhã.

E tal como não podemos viver o Amanhã, hoje,

Também não podemos viver o Hoje, amanhã.

Só nos resta "ser"…

Existir a cada instante...

As palavras verdadeiras não são bonitas

As palavras verdadeiras não são bonitas.

As palavras bonitas não são verdadeiras.

Quem aceita a sua fraqueza

Consegue vencer o mais forte.

A água é calma e serena

Mas desgasta a pedra dura.

O campo, de quem cultiva a sua própria pessoa, será verdadeiro.

O campo, de quem cultiva o seu próprio grupo, será pleno.

O campo, de quem cultiva os seus amigos, crescerá.

Julga os outros por ti mesmo.

Julga os grupos dos outros pelo teu próprio grupo.

Julga os amigos dos outros pelos teus amigos.

Só assim conhecerás a natureza do mundo.


Lao Tzé in Tao Te King


Descontrai um bocado...

Descontrai um bocado...

Chuta uma bola, segue-a com o olhar... A saltitar... A saltitar...

Passeia descalço na erva molhada, Brinca com as mãos na terra castanha.

Molha o cabelo, sobe uma árvore, salta lá de cima.

Vai à praia, rebola nas dunas e corre à beira-mar.


Não te chateies. Não percas tempo.


Veste o fato mas não apertes o colarinho. Nem sempre é necessário ser tão certinho.

Não vistas demasiada roupa, nunca está assim tanto frio…

Deixa o despenteio nos cabelos.

Brinca a jogos coloridos com crianças coloridas,

não escondas o teu sorriso.

Não deixes as janelas todo o dia fechadas.

Cozinha o que gostas e abusa nos temperos.

Cheira o sabor da comida nas ruas, vindo das casas por onde passas.


Sobe ao alto de um monte, abre os braços e grita sem medo a palavra mais feliz que tiveres dentro de ti…

E depois... deixa-te ficar em silêncio.


Respira… Respira...


Lembra-te,

A vida é curta,

Não banalizes, não tornes vulgar o presente.

Tens valor. És especial.


Não percas

o vento.

Agarra

o momento!

Nunca te feches sobre ti mesmo...

Nunca te feches sobre ti mesmo. Sai para a rua. Vive.

A vida merece que tu lhe dês a oportunidade de te tocar. É o mínimo que podes fazer pelo respeito que ela te merece.

Cada fatalidade é, no mesmo instante, um destino e uma oportunidade para tudo mudarmos.

A banda - Chico Buarque

Nunca é tarde para se conhecer uma composição fantástica. Em viagem recente ouvia dois amigos meus, um brasileiro e o outro português que viveu no Brasil, a falarem da MPB e de várias histórias relacionadas com o seu florescimento.

No meio da conversa, falaram com entusiasmo duma tal música muito antiga de Chico Buarque, falando dos versos e da beleza neles contida.

Achei tão bonitos certos versos que eles cantavam que, quando cheguei a casa fui procurá-la e descobri que a música se chamava: "A Banda" e que a letra era mais ou menos assim:

Estava à toa na vida

O meu amor me chamou

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida

Despediu-se da dor

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou

O faroleiro que contava vantagem parou

A namorada que contava as estrelas parou

Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu

A rosa triste que vivia fechada se abriu

E a meninada toda se assanhou

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

Estava à toa na vida

O meu amor me chamou

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida

Despediu-se da dor

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou

Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou

A moça feia debruçou na janela

Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu

A lua cheia que vivia escondida surgiu

Minha cidade toda se enfeitou

Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto

O que era doce acabou

Tudo tomou seu lugar

Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto

Em cada canto uma dor

Depois da banda passar

Cantando coisas de amor

Depois da banda passar

Cantando coisas de amor...

Aqui fica um link se quiserem ver um video: http://www.youtube.com/watch?v=wFPPawLq_5Q

O Velho que Nunca Amou

Conta-se que um elevado e santo mestre falava a uma grande e atenta plateia. Todos os presentes, velhos ou jovens, estavam fascinados com suas palavras.

No auge deste encanto, quando o seu discurso a todos deslumbrava, entrou um fumador de ópio, e com a fala algo arrastada disse:

- Mestre, perdi o meu burro. Ajuda-me a encontrá-lo.

- Tem um pouco de paciência meu filho, eu vou achá-lo – respondeu-lhe o mestre enquanto continuava a falar para a plateia.

Após algum tempo, enquanto discursava, perguntou aos presentes:

- Existe alguém aqui entre nós que nunca amou?

Depois de um ligeiro silêncio houve um velho que se levantou e disse:

- Eu nunca amei ninguém, desde a minha mais remota juventude. Nunca o fogo da paixão consumiu minha alma. Para que a minha mente não se confundisse, nunca deixei o amor ocupar meu coração.

Então, o venerado mestre voltou-se para o fumador de ópio que pouco antes o havia interrompido e disse-lhe:

- Aqui tens, meu filho, vê, acabo de achar o teu burro! Pega nele e leva-o daqui.

Autor desconhecido, provavelmente de origem sufi

Sobre o Silêncio

O Silêncio...

Nós, os Índios, não temos medo dele.

Na verdade, para nós, ele é mais poderoso do que as palavras. Nossos ancestrais foram educados com o silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento.

“Observa, escuta, e logo actua" – diziam-nos. - " Esta é a maneira correcta de viver:

Observa os animais para ver como cuidam dos seus filhos.

Observa os mais velhos para ver como se comportam.

Observa o homem branco para ver o que quer.

Observa sempre primeiro com o coração e a mente tranquilos e então aprenderás.

Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás actuar.”

Com vocês, homens brancos, é o contrário:

Vocês aprendem… a falar.

Dão prémios às crianças que falam mais na escola.

Em festas, todos falam ao mesmo tempo. Por vezes ninguém se entende.

No trabalho, estão sempre com reuniões, nas quais todos interrompem todos, todos repetem a mesma coisa cinco, dez, cem vezes. E chamam a isso "resolver um problema".

Quando estão numa casa e há silêncio, ficam nervosos. Precisam preencher o espaço com sons. Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.

Vocês gostam de discutir e nem sequer permitem que o outro termine uma frase. Interrompem-se constantemente.

Para nós, isso é muito desrespeitoso e estúpido. Se começares a falar, eu não vou interromper… Talvez deixe de escutar, se não gostar do que estás a dizer. Mas não te vou interromper. Quando terminares, tomarei a minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.

Terás dito o que preciso saber. Não há mais nada a dizer.

Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveriam pensar nas suas palavras como se fossem sementes.

Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.

Os nossos ancestrais ensinaram-nos que a terra está sempre a falar, e que deveríamos ficar em silêncio para a escutar.

Existem muitas vozes para além das nossas. Muitas vozes.

E só vamos conseguir escutá-las em silêncio.

In "Neither Wolf or Dog" On Forgotten Roads with an "Indian Elder"; Kent Nerburn